terça-feira, 21 de maio de 2013

Grande queimado - Queimaduras

Grande queimado
Funções da pele

·         Mantem a temperatura corporal;
·         Barreira e proteção (hidratação e infecção);
·         Órgão sensorial;
·         Função cosmética e de identidade;

Epidemiologia

Existem mais de 500.000 lesões por queimaduras anuais nos EUA. Cerca de 40 a 60 mil internações anuais por queimaduras nos EUA e mais de 5.000 mortes anuais nos EUA.
Os óbitos ocorrem em distribuição bimoldal, imediatamente após a lesão, ou semana após, com resultado de falência múltipla dos órgãos. Grande causas das queimaduras são previníveis.

Queimaduras

Grande vilão que tem grande impacto sócio econômico. Correspondem ás lesões mais graves e dolorosas da pele e das partes moles. Sempre realizar avaliação completa (ATLS), buscando outros tipos de lesões. Sempre encaminhar para centros de Tratamento especializados de queimaduras (CTQ), que são mais habilitados e vão fazer tratamento mais intensivo, promovem melhor resposta na ressuscitação, melhor preparo na condução da ferida, controle de infecção, tratamento da lesão inalatória, melhor acompanhamento da resposta hipermetabólica, contribuindo para melhor evolução clínica do paciente. Os pacientes que devem ser encaminhados para esse centro são os seguintes:
·         Queimaduras com espessura maior que 10% da superfície corporal;
·         Queimadura envolvendo a face, mãos, pés, genitálias, períneo ou pele sobrejacente as articulações principais;
·         Queimaduras de espessura corporal;
·         Queimaduras elétricas, incluindo lesões por raios elétricos;
·         Queimaduras químicas;
·         Queimaduras inalatórias;
·         Queimaduras em pacientes com comorbidades prévias que possam complicar o tratamento, prolongar a recuperação ou afetar o desfecho clinico;
·         Qualquer paciente com queimadura e trauma concomitante, no qual a queimadura represente o risco imediato mais importante de morbidade e mortalidade;
·         Crianças queimadas em hospitais sem pessoal qualificado ou equipamento pediátrico;
·         Queimaduras em pacientes que irão necessitar de intervenções sociais e emocionais especiais, ou de reabilitação á longo prazo.
  O tratamento adequado pode diminuir a mortalidade e também sequelas graves.
                A abordagem deve ser multidisciplinar: cirurgião experientes em queimaduras, fisioterapeuta, nutricionista, assistente social, dentistas, farmacêuticos, psiquiátricos e psicólogos clínicos.

Anatomia da pele:

Dividida em derme, epiderme e subcutâneo. A derme é ainda subdivida em superficial e profunda. Os pelos preservam a temperatura assim como os poros da pele.

Causas:

·         Chama (fogo): dano por ar superaquecido oxidado;
·         Escaldamento: dano por líquidos quentes;
·         Contato: danos por materiais sólidos quentes ou frios;
·         Químico: por dano por produtos químicos nocivo;
·         Eletricidade: dano por condução elétrica pelos tecidos;
As queimaduras por chama, escaldamento e contato geram dano celular por necrose de coagulação (a profundidade depende da temperatura, o dano é devido a transferência de energia).  As queimaduras químicas e por eletricidade causam dano direto e transferência de calor por necrose.
Queimaduras por óleo atinge áreas mais profundas do que a por água porque a gordura atinge temperaturas mais elevadas. A pele providencia uma barreira a transferência de energia para áreas subjacentes sendo que grande parte da lesão fica confinada a esta. Contudo, após remoção do agente iniciante, a resposta dos tecidos locais pode levar a lesão das camadas mais profundas.

Zonas de queimadura

 A área de lesão cutânea é dividida em 3 zonas: Primeira zona de coagulação (lesão direta, área necrótica da pele aonde as células foram destruídas com danificação irreversível), zona de estase (tem lesão moderada e perfusão tissular diminuída, dano vascular com extravasamento) e zona de hiperemia (vasodilatação devido a inflamação circunjacente, local aonde o processo de cicatrização se inicia).

Classificação:   
r
Profundidade:
·         Primeiro grau: lesão localizada na epiderme. São eritematosas, enrijecidas, dolorosas com inchaço. Não resultam em cicatrizes e o tratamento é sintomático.
·         Segundo grau superficial: lesão de epiderme e derme superficial. A área se apresenta eritematosa, enrijecida, dolorosa, inchada com bolhas. Reepitelizam espontaneamente em 7 a 14 dias, podendo ter leve descoloração cutânea após cicatrização.
·         Segundo grau profunda: lesão de epiderme e derme profunda. Apresentam-se pálidas, dolorosas e se reepitelizam com 14 a 35 dias, muitas vezes formando cicatrizes graves.
·         Terceiro grau: epiderme , derme até gordura subcutânea. São não dolorosa (destrói plexos nervosos) com destruição intensa da pele, tem consistência dura (semelhante a couro) e cor escura, branca ou cereja. Requerem tratamento com enxertos cutâneos.
·         Quarto grau: lesão de epiderme, derme, gordura subcutânea, comprometendo musculo e osso subjacente.
2)      

Percentual da área queimada
·         Entre os adultos, a mais utilizada é a denominada regra de Wallace ou regra dos nove", baseada na divisão da superfície do corpo em múltiplas áreas que representam cerca de 9% do total da seguinte maneira: a cabeça, a face e o pescoço, 9%; cada membro superior, 9%; cada membro inferior, 18% (9% na parte anterior e 9% na parte posterior); a parte anterior do tronco, 18%; a parte posterior do tronco, 18%; e a zona genital, 1%.
·         Regra dos Onze (crianças): cabeça e face 11%; membros superiores 11%; membros inferiores 11%; tronco de cada lado 11% (lado direito e esquerdo).

Fisiopatologia

Queimaduras graves que cobrem mais de 40% da superfície corporal são normalmente seguidas de período de stress, inflamação (liberação maciça de mediadores inflamatórios causando vasodilatação e edema local) e hipermetabolismo. Este ultimo é caracterizado por uma resposta circulatória hiperdinâmica (taquicardia, aumento de DC) com aumento da temperatura corporal, glicólise (fica hipoglicêmico), proteólise (imunocomprometimento predispondo a infecções), lipólise (hipercatabolico) e ciclo fútil substrato (queima de substrato para tentar compensar o hipercatabolismo, mas não é suficiente). Essas respostas estão presentes em todo o trauma, cirurgia, e em pacientes em estado critico, mas sua gravidade, duração e magnitude são exclusivos para pacientes com grandes queimados. Essa resposta pode se manter durante meses, levando a perda ponderal e a redução da força. Essas respostas se devem em parte a liberação de hormônios catabólicos como catecolaminas, glicocorticoides e glucagon.
 O edema se forma em tecidos queimados e não queimados. Além disso, no trato gastrointestinal ocorre atrofia da mucosa Geraldo alterações na absorção digestiva e permeabilidade intestinal.
Paciente forma mais edema, devido a perda de proteína. O paciente apresenta hipercatabolismo (tentar suprir as perdas) que leva a desidratação e imunossupressão.  Cria-se entao um ciclo vicioso que leva a morte do doente. O paciente fica hipercatabolico, com alto DC, imnocomprometido. Este estado só começam a normalizar após 2 anos. Há aumento de hiperadrenismo com queda hormonal. A taxa metabólica pode aumentar em mais 140%.  A perda proteica causa imunodepressão o que torna a cicatrização mais lenta, além de aumentar o numero de pneumonias e a formação de ulceras. Pode ter hepatomegalia devido a maior produção proteica.
Causas mais comuns de morte: insuficiência respiratória (primeira hora) e choque hipovolêmico nas 1as 24hs. Depois de 24hs a causa de morte é sepse ou insuficiência renal.

Determinando a gravidade:
·         
Alguma área critica esta envolvida?
·         Qual a profundidade (ou tipo) das queimaduras;
·         Qual a extensão?
·         Há outra lesão associada?
·         O acidente ocorreu a céu aberto ou dentro de uma edificação?
Áreas criticas: face, sistema respiratório, mãos, pés, superfícies articulares, períneo e genitália.
Queimadura por inalação: ver risco, se tem fratura e se tem como retirar o paciente.
Escala de sobrevida de Tobiasen:
A extensão da lesão é importante, se tem inalação ou não, a idade do paciente, a superfície corporal queimada, tudo isso influi na mortalidade.
Sexo
Escore
Masculino
0
Feminino
1
Faixa etária
Escore
<20
1
21-40
2
41-60
3
61-80
4
>80
5
Inalação de tóxicos
1
Queimadura integral da derme
1
Superfície corporal queimada
%
<10%
1
11-20
2
21-30
3
31-40
4
41-50
5
51-60
6
61-70
7
71-80
8
81-90
9
>90
10
Escore total de queimado
Sobrevida
2-3
99%
4-5
98%
6-7
80-90%
8-9
50-70%
10-11
20-40%
12-13
<10%

Situações criticas de comprometimento
·        
Comprometimento respiratório;
·         Fraturas e trauma associadas;
·         Envolvimento de áreas criticas;
·         Segundo grau com mais de 30% ASC;
·         Terceiro grau em mais de 10%ASC;
·         Todas as queimaduras de choque elétrico;

Sinais e sintomas de comprometimento respiratório
·         Tosse produtiva
·         Expectoração com fuligem
·         Falta de ar
·         Pele da face ou pelos chamuscados
·         Dor de garganta, rouquidão
·         Fuligem em torno da face
Tratamento

Seguir as preocupações recomendadas. Remover o paciente da área de risco (pessoa esta garrada na energia elétrica, retirar com um objeto ou luva isolante); interromper o fogo, ou corrente, ou retirar o agente químico (lavar com agua corrente entre os primeiros 10 minutos); enxaguar (com solução salina ou água dentro de 15 minutos); conter hemorragias, estabilizar fraturas, utilizar cobertura seca estéril (preservar o calor do paciente); se houver sinais de gravidade, administrar oxigênio fundamental para cicatrização de feridas; observar vias aéreas com muito cuidado e repetidas vezes e em lesões sujas perguntar sobre vacinação de tétano.
 No tratamento de emergência deve-se ter atenção: à temperatura do paciente (cobertor); procurar lesões traumáticas (cobrir ferida); estimar a gravidade; tratamento do choque (ressuscitação volêmica- cristaloides: ringer lactato, soro fisiológico/não dar coloide porque vai para o 3º espaço nas primeiras 24-48hs, depois desse tempo é fundamental usar o coloide ou soluções hipertônicas para retirar liquido do 3º espaço. A ressuscitação deve ser monitorada através do acompanhamento do debito urinário, que deve ser de 0,5ml/Kg/h nos adultos e 1ml/Kg/h nas crianças); providenciar a remoção do paciente para o hospital mais próximo ou para um cento especializado; não administrar opioídes IM  ou subcutâneo porque nesse caso a circulação central esta privilegiada (absorção da droga esta reduzida devido a vasoconstrição periférica) e assim pode haver um flash de opioíde quando houver ressuscitação hídrica e a vasodilatação aumentar a absorção do narcótico depositado, gerando parada respiratória. Deve ser dado pequena dose de morfina EV.
O calculo da ressuscitação hídrica é feito com uma formula que leva em consideração a área de superfície queimada e o peso do paciente: peso X ASCT/8. Sendo, que nas crianças essas formulas são modificadas. Outras medidas necessárias são manter pelo menos 2 acessos de grande calibre para correr volume, Hb   deve ser mantida acima de 10mg/ml. Queimaduras por eletricidade tem risco de rabdomiose e assim deve-se dosar o CPK e risco de acidose (repor bicarbonato). Intoxicação do por cianeto pode usar a cianocolalamina como antídodo.
Lesão por inalação dever ser sempre suspeitada e oxigênio 100% deve ser dado por mascara facial (80% das mortes são lesão de inalação, se intubação depois de mais de 1 semana 25-50% morrem). Ao remover o paciente deve-se ter cuidado para que o socorrista não se torne outra vitima. Uso de luvas, batas, mascaras e óculos de proteção, devem ser usados sempre que houver contato provavelmente com sangue e fluidos corporais.
 Anéis, relógios, joias e cintos devem ser removidos porque eles retêm o calor e pode produzir um efeito torniqueto-like.  As bolhas devem ser retiradas, pois tratam-se de tecido necrótico. Agua em temperatura ambiente pode ser derramada sobre a ferida dentro de 15 minutos na lesão para diminuir a profundidade da ferida.
Em doentes que tenham sofrido um acidente de explosão ou desaceleração, existe a possibilidade de lesão da coluna cervical.  Deve-se então proceder a estabilização da coluna cervical apropriada por todos os meios necessários, incluindo o uso de colares cervicais para manter a cabeça imobilizada até que a condição possa ser avaliada. Avaliar broncoscopia de VAS para diagnostico por inalação. A intubação precoce deve ser feita quando há rouquidão progressiva (pode ser sinal de obstrução iminente de vias aéreas), antes do edema distorcer a anatomia das vias aéreas (VM com VC baixo e hipercapneia permissiva).
Criteirios para falar que a pessoa esta com insuficiência respiratória: po2 <60; paco2 >50 (agudo), relação paco2/fio2< 200, insuficiência respiratória limitante e edema de vias aéreas moderado a grave.
Importante combater qualquer regurgitação com o íleo intestinal, um sonda nasogastrica em todos os pacientes com grandes queimaduras para descomprimir o estomago.
As recomendações para a profilaxia do tétano são baseado no estado da ferida e da historia do paciente, a imunização. Todos os pacientes com queimaduras de mais de 10% de ASC devem receber 0,5ml de toxóide de tétano. Se a imunização prévia esta ausente ou é pouco clara, ou a dose de reforço final era mais de 10 anos, 250 U de imunoglobulina do tétano também deve ser administrada. O tétano é comum de ocorrer em crianças e adultos acima de 50 anos. Nesse caso o paciente faz muita insuficiência respiratória e deve-se deixar em local calmo sem barulho porque qualquer estimulo pode gerar hipertonia.
É importante fazer desbridamento de área diariamente. Feito em centro cirúrgico, nas bordas da ferida deve-se escarificar. O paciente geralmente é sedado com midazolam associado à quetamina, podendo ser usado também o propofol. Os curativos devem ser periódicos. Em queimaduras muito profundas fazer rotação de retalhos. Importante o paciente ter acompanhamento psiquiátrico.

Reposição volêmica

Sempre vigorosa. Usar após as primeiras 48hs ringer lactato e coloides (modulação periférica). Sugestão: formula de Parkland – 4ml/kg/% de área comprometida (faz-se metade do resultado nas primeiras 8hs). Em crianças formula de Galveston que usa 5000ml/ASC queimada (em m2) mais 2000ml/m2 total para manutenção nas primeiras 24hs.

Escarotomia

                Quando as queimaduras de segundo ou terceiro grau envolvem a circunferência de uma extremidade, a circulação periférica do membro pode ser comprometida. Em queimaduras extensas com edema no 3º espaço pode ocorrer a síndrome compartimental. Essas extremidades sob risco requerem escarotomia, que são liberações da escara da queimadura, realizada no leito, pela incisão dos aspectos lateral e medial da extremidade com um bisturi ou eletrocauterio. Linhas de escarotomia são vistas no desenho.  Essa técnica diminui edema local e melhora a perfusão do membro. No caso de uma mão, são feitas incisões nos dígitos medial e lateral do dorso da mão.
Queimadura química

Ocorre quando uma substancia toxica entra em contato com o corpo. Geralmente por ácidos e bases fortes. O grau de dano tissular, assim como o nível de toxicidade, é determinado pela natureza química do agente, concentração do agente e duração do contato cutâneo. Eles causam lesão pela destruição proteica. Os olhos são particularmente vulneráveis e caso sejam atingidos deve-se lava-los exaustivamente. O socorrista deve usar proteções e a prioridade é remover o agente do paciente. Pós secos devem ser escovados das áreas afetadas antes da lavagem.

Queimadura por eletricidade

 Pode ser causada por energia de alta ou baixa voltagem. O corpo é excelente condutor de eletricidade. Certifique-se de que a fonte da eletricidade esta desligada antes de tocar o paciente e se estiver longe da energia proteger como isolante e retirar o doente. Existirão duas feridas (entrada e saída). Preparo para reanimação cardiopulmonar (gera assistolia, fazer atropina, adrenalina e repor volume) é necessário. Importante lembrar que nas queimaduras elétricas as áreas visíveis de necrose tissular representam apenas uma pequena porção do tecido destruído. Durante a corrente o musculo é o principal tecido pelo qual a corrente flui e por isso é o mais acometido.
As lesões se dividem em lesões de alta voltagem (graus variáveis de lesão cutânea nos tecidos de entrada e saída com destruição oculta de tecido profundo) e de baixa voltagem (queimadura semelhante à térmica, sem transmissão aos tecidos profundos). As desordem mais graves ocorrem nas primeiras 24hs após a lesão. Os pacientes devem ser avaliados como qualquer outro paciente com trauma contuso, pois durante a queimadura elétrica o paciente pode se lançado e as contrações tetânicas podem gerar graus diferentes de lesões.
O dano muscular gera liberação de hemocromatinas que pode gerar uma nefropatia obstrutiva. Dessa forma, a hidratação vigorosa, a infusão de bicarbonato de sódio e manitol devem ser realizados. É importante também a realização de avaliações neurológicas seriadas, pois pode ocorrer déficits neurológicos tardiamente.
Íleo metabólico: o processo inflamatório do queimado gera íleo paralitico enchendo o intestino de ar o que facilita translocação bacterina. Isso geralmente ocorre com 48hs e ai é necessário realizar apenas nutrição parenteral. Após 48hs deve-se fazer nutrição enteral. Se tiver infecção tratar antibióticos para gram positivo ou anaeróbicos de grande espectro.

Infarto agudo do miocardio



Infarto do Miocardio
O bloqueio ao fluxo de sangue habitualmente se deve à obstrução de uma das artérias coronárias, sobretudo em razão de um processo inflamatório associado à presença de placas de colesterol em suas paredes, a chamada aterosclerose.
Na prática, o sangue fica impedido de circular tanto pelo desprendimento de um fragmento dessas placas (trombo de gordura) quanto pela formação de coágulos nas artérias (trombo sanguíneo).
O bloqueio ao fluxo de sangue habitualmente se deve à obstrução de uma das artérias coronárias, sobretudo em razão de um processo inflamatório associado à presença de placas de colesterol em suas paredes, a chamada aterosclerose.
Na prática, o sangue fica impedido de circular tanto pelo desprendimento de um fragmento dessas placas (trombo de gordura) quanto pela formação de coágulos nas artérias (trombo sanguíneo).
O infarto significa a obstrução total de uma artéria coronária que foi causada pela ruptura de uma placa aterosclerótica instável e que ativou a adesão de plaquetas, a formação de coágulo de fibrina e, por fim, a trombose. O termo popular mais conhecido para o infarto é o entupimento de uma artéria do coração. Os danos para o organismo são sérios, porque quando esta obstrução ocorre, uma determinada região do músculo cardíaco fica privada de suprimento cardíaco. Ficando sem sangue, o músculo não consegue se contrair adequadamente, afetando a sua função, que é bombear sangue para todos os tecidos.
Manifestações clínicas do IAM
O infarto tem manifestações clínicas bem específicas, como dor referida no tórax (ou peito) contínua, de forte intensidade e sensação de compressão, aperto ou queimação no peito, sensação de queimação bastante semelhante à azia, dor peitoral irradiada para a mandíbula e para os ombros e braços, mais freqüentemente do lado esquerdo do corpo, e, por vezes, palpitações prolongadas - tecnicamente chamadas de arritmias.
A pessoa pode apresentar, ainda, suor excessivo, náuseas, vômitos, tontura e desfalecimento, assim como ansiedade e agitação. É importante lembrar que os diabéticos apresentam menos sintomas ou nada sentem ao infartar.
SINTOMAS QUE PODEM SIGNIFICAR UM INFARTO DO MIOCÁRDIO

  • Pressão desconfortável, sensação de aperto ou dor no centro do tórax que tem duração maior do que 10 minutos, que pode ter diferentes intensidades, ou ainda sumir e voltar espontaneamente;
  • Dor intensa e prolongada no peito;
  • Dor que se irradia do peito para os ombros, pescoço ou braços;
  • Dor prolongada na "boca do estômago";
  • Desconforto no tórax e sensação de enfraquecimento;
  • Respiração curta mesmo no estado de repouso;
  • Náusea, vômito e intensa sudorese;
Num infarto do miocárdio moderado, a dor ou outros sintomas, são fracos e não se desenvolvem totalmente – este tipo de infarto é chamado de "infarto silencioso". Este tipo de infarto pode passar desapercebido, sendo detectado, às vezes até por acaso, durante exames periódicos.
Muitos pacientes com "infarto silencioso“ são diabéticos. A ausência de dor é atribuída a neuropatia, que acompanha o diabetes de longa duração sem tratamento.
Por outro lado, um infarto severo pode até mesmo levar imediatamente à morte em questão de poucas horas. Pode também deixar o músculo tão danificado a ponto de provocar arritmias (descompasso no ritmo de batimentos do coração) e também enfraquecê-lo (causar insuficiência cardíaca).

Patologia do IAM
O ataque do coração resulta de uma série de agressões acumuladas ao longo dos anos, como tabagismo, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, níveis altos de colesterol, estresse, sedentarismo, entre outros.
Todas elas, isoladamente, constituem fatores de risco para o infarto agudo do miocárdio e aumentam a probabilidade de ocorrência desse evento quando presentes em conjunto na mesma pessoa – por exemplo, um fumante obeso e hipertenso, com altos índices de colesterol no sangue.
Diagnóstico no Infarto Agudo do Miocárdio
O diagnóstico é feito pela análise dos sintomas, histórico de doenças pessoais e familiares e pelos resultados de exames solicitados para diagnóstico do infarto agudo do miocárdio:
  • Eletrocardiograma (ECG): mostra o ritmo e freqüência do coração, incluindo as alterações típicas do infarto.Na presença de um infarto, geralmente há alterações no eletrocardiograma que o identifica. Este exame pode mostrar também a presença de arritmias cardíacas causadas pelo próprio infarto.
  • Dosagem de enzimas cardíacas: quando as células do músculo cardíaco são lesadas, há liberação de uma grande quantidade de enzimas cardíacas na circulação sanguínea. Por isso faz-se a dosagem dessas enzimas para diagnosticar o infarto. Muitas vezes são feitas várias dosagens no decorrer do dia para melhor avaliação e diagnóstico. As enzimas mais pesquisadas são a, CK-Total, CK-MB,TGO e LDH. Pesquisa-se também os componentes Troponina e Mioglobina
Angiografia coronariana: consiste na passagem de um cateter através de um vaso sanguíneo (cateterismo), que visa mapear e estudar a circulação coronariana do coração. Caso este procedimento identifique uma obstrução coronariana, pode se feita uma angioplastia no mesmo momento para desobstruir a coronária e restaurar o fluxo sanguíneo normal para o coração. Algumas vezes, durante a angioplastia, pode ser necessária a colocação de um “stent” (um pequeno tubo em forma de mola) para manter a artéria coronária aberta e desobstruída.
Prevenção do IAM

Um evento coronariano agudo é a primeira manifestação da doença aterosclerótica em pelo menos metade dos indivíduos que apresentam essa complicação.Desta forma, a identificação dos indivíduos assintomáticos que estão mais predispostos é crucial para a prevenção efetiva com a correta definição das metas terapêuticas.A melhor maneira de evitar o infarto agudo do miocárdio é reduzir a exposição aos fatores de risco que podem ser controlados, como o cigarro, a obesidade, o estresse, o sedentarismo, o diabetes, a hipertensão e os níveis elevados de colesterol.
Tratamento do IAM
Inicialmente, o tratamento visa a diminuir a lesão no miocárdio e evitar complicações fatais, o que requer a administração de medicamentos para o coração trabalhar de modo mais econômico e para ajudar a restaurar a circulação sangüínea local.
Dependendo do tipo de infarto e da gravidade do entupimento, a desobstrução das artérias muitas vezes requer um procedimento mais invasivo, como a angioplastia e/ou a cirurgia de revascularização do miocárdio.
Os medicamentos mais utilizados pelos médicos são:
  • Trombolíticos: medicações que dissolvem o trombo ou coágulo no interior das coronárias.
  • Beta-bloqueadores: diminuem a sobrecarga do coração.
  • Inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA): controlam a pressão arterial e reduzem a tensão do músculo cardíaco.
  • Anticoagulantes: previnem a formação de trombos ou coágulos.
  • Antiagregantes plaquetários: também previnem a formação de trombos.
Empregando as denominadas pontes de veia safena ou de artéria mamária, a intervenção cirúrgica constrói um caminho alternativo para o miocárdio ser irrigado pelo sangue.
Já a angioplastia, também chamada de intervenção coronária percutânea, dilata a parte estreitada da artéria doente por meio de um pequeno balão, que é levado até o local da obstrução por um cateter e ali é insuflado para promover a dilatação arterial. Após a obtenção da dilatação e conseqüente “abertura” da artéria, implanta-se freqüentemente um dispositivo metálico denominado stent no local tratado com a finalidade de evitar que a obstrução retorne.
Qualquer que seja o procedimento, o tratamento prossegue com medicamentos e mudanças importantes no estilo de vida, como equilibrar a alimentação, praticar exercícios regulares com orientação médica, parar de fumar e fazer um controle rigoroso dos fatores de risco.
É importante deixar claro que quem sobrevive a um infarto e adota hábitos saudáveis, em geral, consegue voltar à vida normal e retomar suas atividades.






Tonsilite ( Dor de Garganta )


Definição

A tonsilite é a inflamação (inchaço) das tonsilas (antigamente chamadas de amígdalas).

Causas, incidência e fatores de risco

As tonsilas são linfonodos na parte de trás da boca e na parte superior da garganta. Elas geralmente ajudam a filtrar bactérias e outros micro-organismos para impedir as infecções no corpo.
Foto: ADAM
As estruturas da garganta incluem o esôfago, a traqueia, a epiglote e as amígdalas
Elas podem ficar tão carregadas de infecções bacterianas ou virais que se incham e ficam inflamadas, causando a tonsilite.
A infecção pode também estar presente na garganta e áreas próximas, causando inflamação na faringe. A faringe é a parte de trás da garganta, entre as tonsilas e a caixa de voz (laringe). Consulte: Faringite
A tonsilite é extremamente comum, principalmente em crianças.

Sintomas

  • Dificuldade em engolir
  • Dor no ouvido
  • Febre, calafrios
  • Dor de cabeça
  • Dor de garganta que dura mais de 48h e pode ser grave
  • Sensibilidade na mandíbula e na garganta
  • Alterações na voz, perda de voz

Exames e testes

O médico examinará a boca e a garganta para ver as tonsilas inchadas. As tonsilas são geralmente avermelhadas e podem ter manchas brancas. Os nódulos linfáticos na mandíbula e no pescoço podem estar inchados e sensíveis ao toque.
Possíveis testes incluem:
  • Teste rápido para detecção do antígeno
  • Cultura da superfície da garganta

Tratamento

Se a causa da tonsilite for uma bactéria como uma estreptocócica, os antibióticos são receitados para curar a infecção. Os antibióticos podem ser ministrados por injeção ou por via oral durante 10 dias.
Se pílulas forem usadas, elas deverão ser ministradas por todo tempo prescrito pelo médico. NÃO interrompa o tratamento só porque o desconforto passou, caso contrário a infecção não vai ser curada.
Descanse para permitir que o corpo se recupere. Líquidos, principalmente mornos (não quentes), leves ou muito gelados podem aliviar a garganta. Faça gargarejos com água morna e sal ou use pastilhas (contendo benzocaína ou ingredientes similares).
Medicamentos como acetaminofeno ou ibuprofeno podem ser usados para reduzir a dor e a febre. NÃO dê aspirinas a crianças. Aspirinas têm sido associadas à síndrome de Reye.
Algumas pessoas com reincidência da infecção podem precisar de cirurgia para remover as tonsilas (tonsilectomia).

Evolução (prognóstico)

Os sintomas de tonsilite costumam desaparecer 2 a 3 dias depois do início do tratamento. A infecção geralmente é curada após o término do tratamento, mas algumas pessoas podem precisar de mais um ciclo de antibióticos.
As complicações de tonsilite causada por estreptococos não tratada podem ser graves. Crianças com tonsilite associada ao estreptococo ou à faringite devem geralmente resguardar em casa até que tenham tomado os antibióticos por 24 horas. Isso ajuda a reduzir a transmissão da doença.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

PARACOCCIDIOIDOMICOSE


PARACOCCIDIOIDOMICOSE
Características gerais


Sinônimos
Blastomicose sul-americana ou moléstia de Lutz-Splendore e Almeida.

O que é?
A paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica, autóctone da América Latina, com maior ocorrência na Argentina, Colômbia, Venezuela e no Brasil, o qual contribui com cerca de 80% dos casos.

Agente etiológico
E causada pelo Paracoccidioides brasiliensis, fungo dimorfico, o qual já foi isolado do solo,
onde se acredita que viva saprofiticamente, ocorrendo a infecção humana pela inalação de conídios
do fungo.

Reservatório e fonte de infecção
O grande fator de risco para aquisição da infecção é as profissões ou atividades relacionadas
ao manejo do solo contaminado com o fungo, como, por exemplo, atividades agrícolas, terraplanagem,
preparo de solo, práticas de jardinagem, transporte de vegetais. O solo e poeira, contendo
o fungo em suspensão, constituem a fonte de infecção.

Modo de transmissão
Em geral, a transmissão é por inalação de partículas infectantes (conidios), dispersas na natureza.
Uma vez inalados, os conidios transformam-se em leveduras, que constituem a forma parasitaria
nos tecidos do hospedeiro. Pode haver transmissão por inoculação, sobretudo em acidentes
de laboratório.

Período de incubação
É desconhecido, podendo levar anos até que haja manifestações clinicas.

Período de transmissibilidade
Não ha transmissão homem a homem e não ha relatos de contagio de animais para o
homem.

Resposta Imune
•       A resposta imune celular (geralmente Th 1) controla a infecção por citocinas que ativam macrófagos e linfócitos T CD4+ e CD8+ (IL 2, 12, INF-γ) à formação de granulomas compactos - células epitelióides, células gigantes, fungos no citoplasma
•       Th1 inibe a replicação do fungo; formas quiescentes podem persistir no granuloma
•       Deficiência de Th 1 à evolução para doença (gravidade proporcional à imunodepressão)
•       Nas formas mais graves há predomínio de Th 2 (IL 4, IL 5, IL 10, TGF-β) à ativação de linfócitos B, hipergamaglobulinemia e altos títulos de Ac específicos (proporcional à gravidade e disseminação da doença) à granuloma frouxo - necrose e supuração, maior quantidade de fungos -  ↓↓↓ T CD4
•       Progressão da forma da doença depende:
- da virulência do inóculo
- da quantidade de inóculo inalado
- da qualidade da defesa do hospedeiro

Aspectos clínicos e laboratoriais

Manifestações clínicas
As formas clinicas da paracoccidioidomicose classificam-se em:
Paracoccidioidomicose infecção – pode passar despercebida e regredir espontaneamente
ou evoluir para doença.
Paracoccidioidomicose doença – que se classifica em:
Forma aguda/subaguda;
Sintomas:
•       Linfadenomegalia;
•       Manifestações digestivas;
•       Hepatoesplenomegalia;
•       Envolvimento ósteo-articular;
•       Lesões cutâneas.

Forma crônica:
- unifocal;
- multifocal;
Sintomas:
•       Tosse;
•       Dispnéia;
•       Expectoração muco purulenta;
•       Lesões ulceradas em pele;
•       Mucosa de nasofaringe;
•       Odinofagia, disfagia, disfonia

Forma residual ou sequelar.
Sintomas (Decorre do processo de fibrose):
•       Disfonia;
•       Obstrução laríngea;
•       Redução da rima bucal.
Diagnóstico
•       Clínico
•       Laboratorial:

ü  Achado do parasita – células arredondadas, de dupla parede, birrefringente, com ou sem gemulação.
ü  Quando há gemulação dupla – “roda de leme”.

Provas sorológicas:
ü  Imunodifusão em gel
ü  Histopatologia

Tratamento
•       Drogas antifúngicas
Ex: anfotericina B, sulfamídicos
Nas formas mais leves: itraconazol
Nas formas mais graves: anfotericina B
(o tratamento deve ser feito em regime hospitalar)
•       O tratamento é de longa duração, com o tempo dependendo da gravidade da doença (de 6 a 9 meses nas formas leves, de 12 a 18 meses nas moderadas)
•       Nos casos onde há acometimento de vários órgãos, medidas de suporte deverão ser adotadas

Comorbidades
São freqüentes. Dos processos associados de natureza infecciosa, destacam-se a tuberculose,
cuja associação e registrada em 5 a 10% dos casos, enteroparasitoses, exacerbação infecciosa de
doença pulmonar obstrutiva crônica e aids. Menos frequentemente, tem sido relatados casos de
leishmaniose, hanseníase e outras micoses. Entre as associações não infecciosas, destacam-se o
linfoma de Hodgkin e carcinomas.

Diagnóstico diferencial
O polimorfismo da apresentação clinica da paracoccidioidomicose permite que ela seja
incluída no diagnostico diferencial de varias condições clinicas, de causa infecciosa ou nao.
Entre as doenças respiratórias, o diagnostico diferencial deve ser feito com a tuberculose, a
histoplasmose, a coccidioidomicose e a sarcoidose. As lesões mucosas devem ser diferenciadas da
leishmaniose tegumentar, das lesões mucosas da histoplasmose, das lesões neoplasicas.
As manifestações cutâneas da paracoccidioidomicose podem se confundir com a esporotricose,
cromomicose, lobomicose, hanseníase, treponematoses ou com neoplasias de pele. Na forma
juvenil, os principais diagnósticos diferenciais são doenças linfoproliferativas, histoplasmose, calazar,
tuberculose e outras micobacterioses.

 Instrumentos disponíveis para controle

Ações de educação em saúde
A maioria destas ações exige participação de populações expostas, sendo fundamental o repasse
das informações acerca da doença, risco de aquisição, entre outras. Elas devem ser divulgadas,
mediante as técnicas pedagógicas e os meios de comunicação disponíveis, esclarecendo a
importância da doença e medidas de prevenção.

Estratégias de prevenção
Propor medidas de prevenção e controle pertinentes, de acordo com os resultados obtidos das
analises. A Vigilância Epidemiológica devera atuar, junto aos profissionais de saúde, promovendo
capacitação freqüente e alerta para o diagnostico diferencial com outras doenças.